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montesclaros.com - Ano 26 - terça-feira, 16 de junho de 2026

BR-251, no trecho entre M. Claros e a BR-116, a Rio Bahia: concessionária quer exigir pedágio em dezembro após obras emergenciais. (Duplicação de 42 quilômetros ficará para depois, inclusive o trecho de 19 km até Francisco Sá, que só sairá em 2029)

Terça 16/06/26 - 8h11

8h, terça-feira, do jornal O Tempo, de BH:





Concessionária promete BRs 251 e 116 mais seguras em 2026 e prevê data para início do pedágio

Processo de transferência dos trechos das rodovias em Minas Gerais deve ser concluído até o início de julho
Gabriel Rezende






Duas das rodovias federais mais importantes de Minas Gerais que conectam o Sudeste ao Nordeste, mas que acumularam tragédias ao longo da história, estão no centro de promessas de melhorias. Ainda em 2026, a concessionária Ecovias das Gerais, formalizada a partir do contrato de concessão com o grupo EcoRodovias, promete tornar mais seguros os trechos da BR-116 entre Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, e a divisa com a Bahia, e da BR-251, entre Montes Claros e o entroncamento com a BR-116 em Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha.


As primeiras intervenções estão previstas dentro de um plano emergencial de 100 dias. Trata-se de um pacote de trabalhos focados na recuperação do pavimento, reforço da sinalização e conservação dos 734,9 quilômetros das duas rodovias. Segundo o diretor-geral de Concessões da EcoRodovias, Alberto Luiz Lodi, a expectativa é que os usuários percebam os primeiros resultados ainda neste ano, antes mesmo do início das grandes obras previstas no contrato e do início da cobrança do pedágio.

"Vamos atacar os principais problemas emergenciais. Nos primeiros 100 dias será feita a recuperação emergencial da rodovia, com tapa-buracos, limpeza e sinalização. A partir daí, vamos notar melhoria e redução nos níveis de acidentes", afirmou.

Apesar de o leilão ter ocorrido em março e da assinatura do contrato ter sido publicada no último dia 8, a concessionária ainda não assumiu efetivamente a gestão dos trechos, que seguem sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Segundo Lodi, o processo de transferência dos ativos deve ser concluído até o início de julho.

"Há um prazo de 30 dias após a assinatura do contrato para assinatura do termo de transferência do ativo. A partir daí, entramos na rodovia", explicou. Segundo Lodi, a concessionária também pretende atuar em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) em campanhas educativas e ações voltadas ao combate ao excesso de velocidade e outras infrações.

"Muitos acidentes estão relacionados à imprudência, excesso de velocidade e condições inadequadas dos veículos. As melhorias na rodovia são importantes, mas a conscientização dos motoristas também tem papel fundamental para aumentar a segurança", afirmou.

Pedágio
A cobrança de pedágio também faz parte do contrato de concessão, mas não será implantada imediatamente. Segundo Lodi, a expectativa da concessionária é iniciar a cobrança em dezembro, após a conclusão das obrigações iniciais previstas para os primeiros meses de operação e mediante autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O sistema adotado será o free flow, sem praças físicas de pedágio. Ao todo, estão previstos nove pórticos de cobrança ao longo das duas rodovias. De acordo com a concessionária, a tarifa média prevista é de R$ 8,40 por pórtico, em valores de 2023. O valor será corrigido pela inflação até o início da cobrança e poderá variar de acordo com cada ponto de passagem.

O que muda no curto prazo
Entre os serviços previstos para os primeiros meses da concessão estão operações de tapa-buracos, recuperação do pavimento, reforço da sinalização horizontal e vertical, limpeza da faixa de domínio, roçada, manutenção dos sistemas de drenagem e implantação das primeiras estruturas operacionais da concessionária.

"O objetivo é recuperar as condições da estrada e garantir mais segurança aos usuários", disse Lodi. Além das intervenções na infraestrutura, a concessionária promete ampliar a capacidade de resposta em situações de emergência. O contrato prevê a implantação de 14 ambulâncias, guinchos para remoção de veículos e equipes de inspeção de tráfego que circularão permanentemente pelos trechos concedidos.

Segundo o executivo, a estrutura permitirá atendimento mais rápido a acidentes, panes mecânicas e outras ocorrências registradas nas rodovias.

Outro ponto considerado estratégico é a ampliação da conectividade. Atualmente, há longos trechos das rodovias sem cobertura de telefonia móvel, o que dificulta o acionamento de socorro em situações de emergência. Embora o contrato preveja a implantação da estrutura de telecomunicações apenas nos primeiros anos da concessão, a empresa afirma que estuda antecipar parte desse cronograma.

"A conectividade é fundamental. Estamos estudando formas de antecipar essa implantação para oferecer mais segurança aos usuários", afirmou.

Duplicações ficam para depois
Embora a promessa seja de melhorias já em 2026, as obras estruturais mais aguardadas pelos motoristas ainda devem demorar alguns anos para começar. As intervenções dependem de elaboração de projetos, licenciamento ambiental e desapropriações.

Na BR-251, as duplicações estão previstas entre o terceiro e o oitavo ano da concessão, o que corresponde ao período entre 2029 e 2034. Ao todo, serão 42,3 quilômetros de pistas duplicadas.

O primeiro trecho previsto tem 19,3 quilômetros entre Francisco Sá e Montes Claros e deve entrar em obras em 2029. Em seguida, estão programadas intervenções em outros segmentos de Francisco Sá, em 2030 e 2031, e um trecho de 8,4 quilômetros em Salinas, previsto para 2034.

Já na BR-116, estão previstos 144,3 quilômetros de duplicações. As primeiras obras devem ocorrer entre 2030 e 2032, incluindo trechos entre Frei Inocêncio e Governador Valadares e o entorno de Teófilo Otoni. A conclusão dos segmentos restantes está prevista entre 2033 e 2036.

Segundo Lodi, a prioridade dada à BR-251 reflete as características da rodovia. "É uma rodovia de pista simples em praticamente toda a sua extensão e com tráfego muito intenso de caminhões e carretas. Por isso, necessita de investimentos importantes para ampliar a segurança e melhorar a fluidez", afirmou.

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